A Farmacovigilância não começa apenas quando um medicamento é comercializado, nem se limita à recolha e notificação de suspeitas de reações adversas. É uma atividade contínua que acompanha o medicamento ao longo de todo o seu ciclo de vida, contribuindo para o conhecimento progressivo do seu perfil de segurança e para a manutenção de uma relação benefício-risco favorável.
Um sistema de Farmacovigilância devidamente estruturado permite reunir informação proveniente de diferentes fontes, identificar novos riscos, cumprir os requisitos regulamentares e implementar atempadamente medidas destinadas a proteger os doentes.
Antes da comercialização
Durante o desenvolvimento clínico, a informação de segurança disponível é ainda limitada pelo número de participantes nos ensaios, pela duração da exposição e pelas características da população estudada.
Nesta fase, é importante:
- Identificar riscos importantes conhecidos e potenciais;
- Reconhecer lacunas na informação disponível;
- Definir as atividades de Farmacovigilância necessárias;
- Planear medidas adicionais para caracterizar ou minimizar riscos;
- Preparar a documentação de segurança necessária para o pedido de Autorização de Introdução no Mercado.
O Plano de Gestão do Risco — RMP — constitui um instrumento central para descrever o perfil de segurança do medicamento e definir a estratégia de monitorização e minimização dos riscos.
Preparação para o lançamento
Antes da comercialização de um medicamento, o sistema de Farmacovigilância deve estar plenamente operacional.
A preparação deve incluir:
- Definição clara das responsabilidades;
- Designação dos responsáveis de Farmacovigilância aplicáveis;
- Estabelecimento de procedimentos e canais de comunicação;
- Implementação de uma linha de contacto para a receção de informação de segurança;
- Celebração de acordos de Farmacovigilância com parceiros;
- Formação das equipas que possam receber informação sobre segurança;
- Preparação dos processos de gestão de casos, literatura, sinais e reconciliações;
- Definição de mecanismos de continuidade do serviço.
Esta preparação é essencial para assegurar que qualquer informação relevante é identificada, encaminhada, avaliada e comunicada dentro dos prazos aplicáveis.
Após a comercialização
A utilização do medicamento por uma população mais ampla e diversificada permite obter informação que não estava disponível durante o desenvolvimento clínico.
Após o lançamento, a monitorização inclui informação proveniente de diversas fontes, nomeadamente:
- Notificações espontâneas de profissionais de saúde e doentes;
- Literatura científica e médica;
- Estudos clínicos e não intervencionais;
- Programas de apoio ao doente;
- Reclamações de qualidade com possível impacto na segurança;
- Pedidos de informação médica;
- Autoridades regulamentares;
- Parceiros comerciais e distribuidores;
- Bases de dados e outros sistemas de vigilância.
A análise integrada destas fontes ajuda a identificar alterações no perfil de segurança do medicamento.
Gestão de casos de segurança
A gestão de casos individuais de segurança envolve mais do que o simples registo de uma reação adversa. Cada caso deve ser avaliado quanto à sua validade, gravidade, previsibilidade e qualidade da informação disponível.
O processo pode incluir:
- Receção e triagem da informação;
- Verificação dos critérios mínimos de validade;
- Codificação médica;
- Avaliação clínica;
- Pesquisa de informação complementar;
- Deteção de duplicados;
- Controlo de qualidade;
- Submissão às autoridades e comunicação aos parceiros;
- Acompanhamento e arquivo da documentação.
Uma gestão consistente e dentro dos prazos é essencial para garantir a qualidade dos dados e o cumprimento das obrigações regulamentares.
Monitorização da literatura
A literatura científica é uma fonte importante de informação de segurança. A monitorização deve permitir identificar publicações que possam conter casos individuais, novos riscos, alterações na frequência ou gravidade de riscos conhecidos e outras informações relevantes para a relação benefício-risco.
A estratégia de pesquisa deve ser documentada, reprodutível e adaptada às substâncias ativas, aos medicamentos e aos territórios abrangidos.
Gestão de sinais
Um sinal de segurança corresponde a informação que sugere uma possível associação nova, ou um novo aspeto de uma associação conhecida, entre um medicamento e um acontecimento.
A gestão de sinais inclui várias etapas:
Um sinal não representa necessariamente um risco confirmado. Significa que a informação disponível deve ser investigada para determinar se é necessária alguma ação adicional.
Avaliação periódica da relação benefício-risco
O perfil de segurança de um medicamento deve ser revisto periodicamente e sempre que surja informação relevante.
Os relatórios periódicos de segurança — PSUR/PBRER — permitem apresentar uma avaliação integrada dos novos dados de segurança, da exposição ao medicamento, dos sinais identificados e da relação benefício-risco.
Esta avaliação pode conduzir à:
- Atualização da informação do medicamento;
- Introdução de novas advertências ou precauções;
- Implementação de medidas adicionais de minimização do risco;
- Realização de estudos complementares;
- Atualização do RMP;
- Comunicação dirigida a profissionais de saúde ou doentes.
Qualidade e supervisão do sistema
A externalização de atividades de Farmacovigilância não elimina a responsabilidade do titular da Autorização de Introdução no Mercado. Por esse motivo, é fundamental manter mecanismos adequados de supervisão.
Estes mecanismos podem incluir:
- Procedimentos documentados;
- Acordos com responsabilidades e prazos claramente definidos;
- Indicadores de desempenho;
- Reconciliações periódicas;
- Gestão de desvios e ações corretivas e preventivas;
- Formação inicial e contínua;
- Controlo de alterações;
- Auditorias baseadas no risco;
- Planos de continuidade do negócio;
- Revisão periódica do sistema.
Um sistema de qualidade eficaz permite demonstrar que as atividades são realizadas de forma consistente, rastreável e em conformidade com os requisitos aplicáveis.
Uma abordagem integrada à Farmacovigilância
A Farmacovigilância exige conhecimento científico, experiência regulamentar, processos robustos e capacidade de adaptação. A integração destas competências permite transformar diferentes fontes de informação em decisões que contribuem para a utilização segura e eficaz dos medicamentos.
A Zemir Pharma Consulting presta apoio em diferentes áreas da Farmacovigilância, desde atividades específicas até à gestão integrada do sistema, incluindo serviços de QPPV e contacto local, gestão de casos, monitorização da literatura, gestão de sinais, preparação de PSUR/PBRER, RMP, acordos, formação, auditorias e preparação para inspeções.
Necessita de apoio para implementar, manter ou reforçar o seu sistema de Farmacovigilância? Contacte a Zemir Pharma Consulting para encontrarmos uma solução adaptada ao seu portefólio e às suas responsabilidades regulamentares.